
Eu sempre gostei de desenhar logotipos, desenhei alguns ao longo dos anos e para mim é um desafio procurar algo que eu não sei muito bem o que é, que represente uma pessoa, um projeto, uma empresa e, neste caso, nossa editora.
Os logotipos da Barbatana (sim, são 3) foram rascunhados um pouco depois que resolvemos o nome da editora. O nome, associado ao mar que tanto gostamos, também tinha uma inspiração na editora do veneziano Aldo Manuzio, do século XV, cujo logotipo é uma âncora com um golfinho enrolado nela. Apressa-te devagar, diria a editora de Manuzio. São muitas as barbatanas do oceano, mas pensamos na barbatana de tubarão (um animal do topo da cadeia alimentar), cujo movimento de mergulho desvendaria que, na verdade, era a metade de uma barbatana de baleia. Parecemos tubarão, mas para mim somos uma simpática baleia.

Não existe ciência nisso, porque barbatanas de tubarão e baleias não são semelhantes em forma, mas como não é ciência o design gráfico, achei que caberia uma brincadeira aqui.
Inspirada em imagens animadas (que sempre gostei de animação) e também em empresas que usam de logotipos variáveis (quando a empresa ou instituição tem um logotipo que varia conforme o uso), foi uma solução nem questionada por nós.
Escolhemos um “principal” (a barbatana de tubarão) e é ele que usamos oficialmente e assinamos os livros na capa. O da baleia surgindo usamos no frontispício e o dela mergulhando, na contracapa.

A escolha da tipografia é outra etapa da construção. Escolhi a Core Sans, dos tipógrafos sul-coreanos Hyun-Seung Lee, Dae-Hoon Hahm e Min-Joo Ham, depois de uma tentativa com outras tipografias, por ser uma fonte de fácil legibilidade, com uma família tipográfica que permitia variações de peso entre a palavra Edições e Barbatana, e desenhei ela como uma onda seguindo a onda do mar. A linha escura representando a onda é quebrada por linha diagonais, para dar um pouco mais de leveza ao traço.

A cor preta que dá sobriedade à marca, dá também condições de brincar com a cor, como às vezes fazemos. Como usar o logotipo em verde e rosa, em homenagem à Mangueira (escola de coração dos editores), ou “trocarmos de roupa” durante a Feira Miolos, usando as cores da identidade do ano.

No logo dos 5 anos, voltamos para os peixes e fiz alguns testes com diferentes barbatanas (porque sim, o universo é incrível em espécies, formas e cores) e tínhamos recém-achado um livro sobre peixes, Poissons, écrevisses et crabes, de 1718, de Louis Renard (c. 1678–1746) que desenhou, gravou e coloriu mais de 400 espécies de peixes, crustáceos e lagostins, diferentes e incríveis, e, apesar da aparente invencionice das imagens, constatou-se bem mais tarde que, entre 10 desenhos, apenas um era totalmente inventado, sendo os outros de espécies identificáveis. Assim foram os estudos, e o logotipo finalizou com um desses peixes tirados do livro do Renard, como uma espécie de peixe-voador, imitando esses aviõezinhos que passam sobre o mar puxando uma faixa anunciando algo.

10 anos é bastante tempo na vida de uma editora independente, e queria fazer um logotipo comemorativo que representasse essa passagem do tempo. Aí me lembrei que, quando desenhei o logo lá atrás, eu queria muito fazer uma animação do movimento da barbatana mergulhando. Nunca fiz, mas tinha desenhado a série sequenciada do mergulho. Essa sequência de imagens num mesmo plano, como um fantasma, é o movimento do mergulho e da passagem do tempo, como algumas histórias em quadrinhos representam movimento.

No ano passado, durante a Feira Miolos, Paulo Verano teve a ideia de fazermos publicações com tiragens menores em caráter experimental. Isso nos faria religar ao princípio da editora quando tínhamos livros com tiragens de 30, 50 exemplares. Hoje, essa possibilidade nos traria formas de publicar novamente livros mais experimentais. Assim surgiu a Barbatana Efêmera.
Quando finalmente fui pesquisar uma imagem para o logotipo, me deparei com insetos efemerópteros, conhecidos popularmente como efêmeras, moscas-de-maio, pertencentes à ordem Ephemeroptera. Esses insetos que submergem da água e tem asa semelhante ao formato da barbatana e que duram 24 horas, pareciam perfeitos para o logotipo. A linha, antes contínua, se tornou pontilhada, marcando um tempo fugaz.


Acho que se eu não tivesse cursado Artes Plásticas na universidade, gostaria de ter seguido a área de Biologia. Ultimamente tenho voltado a estudar mais essa área, e poder juntar tudo no trabalho da editora é mais que satisfatório. Que venham outros anos, e que venham outros planos.
Angela Mendes, agosto de 2026.
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Seja bem-vindo(a), a gente preparou um presente especial para você:
Nossa Gê, não sabia tudo o que há por trás de um logotipo. Parabéns. Você é uma artista mesmo